Para este post, transcribo lo que encontré junto al video que va abajo, donde explica muy bien detalles de la canción y sus creadores.
"Su posición humanista y su enfrentamiento con la dictadura militar trasformaron a Chico Buarque en un personaje emblemático de la resistencia a la opresión; blanco predilecto de la censura Chico tenía un margen restringido, no obstante consiguió comunicar su mensaje usando recursos como polisemia, intertextualidad y hasta la invención de un falso colaborador.
Aproximadamente 20 de sus canciones fueron prohibidas total o parcialmente; Cálice, co-escrita con Gilberto Gil, juega con la casi homofonía entre las palabras cálice (cáliz) y Cale-se (cállese), al final del video se ven imágenes del festival Phono 73, en el que sus micrófonos fueron cortados en vivo cuando la tarareaban."
Que la disfruten!


Versión: Chico Buarque y Milton Nascimento (Brasil)



Video:





Versión: Chico César (Brasil) - Disco: De uns tempos pra cá (2005)



Letra:


Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue


Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue


Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor e engolir a labuta?
Mesmo calada a boca resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta


Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue


Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada, prá a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa


Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue


De muito gorda a porca já não anda (Cálice!)
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!)
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade?
Mesmo calado o peito resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade


Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue


Talvez o mundo não seja pequeno (Cale-se!)
Nem seja a vida um fato consumado (Cale-se!)
Quero inventar o meu próprio pecado (Cale-se!)
Quero morrer do meu próprio veneno (Pai! Cale-se!)
Quero perder de vez tua cabeça! (Cale-se!)
Minha cabeça perder teu juízo. (Cale-se!)
Quero cheirar fumaça de óleo diesel (Cale-se!)
Me embriagar até que alguém me esqueça (Cale-se!)